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16/10/2008 Empresas e candidatos assumem desafio de reduzir impactosSetor privado e entidades civis firmaram pactos com exigências de sustentabilidade social e ambiental para a pecuária, a madeira e a soja. Concorrentes à prefeitura de SP assumiram compromisso de adotar medidas Por Maurício Hashizume Um dia após o lançamento de pesquisa que mostrou como São Paulo se beneficia da devastação da Amazônia, quatro pactos foram firmados para tentar modificar essa situação. Empresas, organizações da sociedade civil e representantes das duas candidaturas à Prefeitura de São Paulo - de Gilberto Kassab (DEM) e de Marta Suplicy (PT) - assinaram compromissos, nesta quarta-feira (15), com o intento de buscar conexões menos degradantes entre a cidade mais rica do país e a maior floresta tropical do mundo. Companhias privadas e entidades civis de diversos setores referendaram pactos para minimizar o impacto na Amazônia no tocante ao financiamento, produção, uso, distribuição, comercialização e consumo em três setores com diagnóstico de problemas socioambientais: pecuária, madeira e soja. A Repórter Brasil participou da elaboração do trabalho que mostrou as conexões insustentáveis entre a cidade de São Paulo e a Floresta Amazônica. O quarto "pacto" enumerou uma série de compromissos específicos voltados ao Executivo municipal, entre eles a realização de um levantamento detalhado dos produtos e subprodutos de origem amazônica consumidos pela prefeitura, a exigência de provas da legalidade da cadeia produtiva para que empresas participem de processos de licitações e a recusa de aquisição de produtos de agentes e áreas incluídas na "lista suja" do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou na relação de áreas embargadas do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, um dos propositores da iniciativa, órgãos governamentais podem usar o poder de compra que detêm para fortalecer não apenas um mercado que seja meramente livre, mas que seja ético. Para ele, os pactos e o termo de compromisso são "oportunidades reais de mudança" que exigem a participação e o acompanhamento perene dos signatários. A criação de um grupo de trabalho (GT) executivo especial composto, "no mínimo, pelas secretarias e/ou departamentos de compras, jurídico, obras públicas e meio ambiente, entre outras, além do Conselho Municipal do Meio Ambiente e organizações representantes da sociedade civil" também faz parte do documento assinado pelos postulantes à prefeitura. O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge e pelo deputado estadual Adriano Diogo - que representaram, respectivamente, Gilberto Kassab e Marta Suplicy - prometeram dar início às ações e instalar o GT no prazo de 90 dias a contar do início do mandato, e incluir as medidas no Programa de Metas a ser apresentado conforme a Lei Orgânica do Município de São Paulo. O representante da candidata e ex-prefeita Marta Suplicy (PT), Adriano Diogo, disse estar de acordo com os termos propostos pela sociedade civil e lembrou que o "nosso país nasceu sobre a espada do extrativismo". O Brasil, segundo ele, foi "descoberto" pela ótica de que "tudo deveria ser daqui extraído", desde o pau-brasil que foi levado para as tinturarias inglesas até o ouro e o diamante, que deixaram para os brasileiros apenas "a pobreza e o buraco". Fundo Amazônia De acordo com o ministro, a proposta não se viabilizava porque o governo se recusava a abdicar da soberania e aceitar que estrangeiros tomassem assento no comitê gestor do fundo, enquanto que os estrangeiros exigiam ter o mínimo de controle sobre como esse dinheiro seria gasto. O impasse foi resolvido com a formação de um comitê sem a presença de estrangeiros, que cobraram a redução continuada dos índices de desmatamento como condição para que a cooperação não seja rompida. Em função da co-responsabilidade de crimes ambientais, pedidos oficiais do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para que frigoríficos, siderúrgicas e outras empresas que atuam na região entreguem as suas listas de fornecedores também foram encaminhados, complementou Carlos Minc. O MMA pretende formalizar uma parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar um selo que identifique produtos de cadeias produtivas regulares. |
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