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24/05/2011 Pacto contra escravidão se abre para adesões internacionaisEmpresas são chamadas a cortar relações comerciais - diretas ou indiretas, através das cadeias produtivas de fornecedores ou da importação direta de produtos - com empregadores envolvidos em casos de trabalho escravo Por Maurício Hashizume
Brasília (DF) - As portas do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo estão abertas para empresas estrangeiras que queiram agir no combate à prática criminosa. O documento com os marcos para a adesão de companhias não brasileiras foi apresentado no IV Seminário Internacional da iniciativa, ocorrido na capital federal na última quinta-feira (19).
Caio ressalta que os participantes do acordo reagiram quando foram chamados a se posicionar e que as pesquisas referentes às cadeias produtivas propiciaram acúmulo significativo para a base de conhecimentos na área. Ele sublinha que o exercício do diálogo em busca de melhorias tem sido constantemente praticado pelo conjunto de participantes do Pacto Nacional, que vem inspirando tanto a adoção de políticas corporativas contra a escravidão como o aperfeiçoamento de políticas públicas com o mesmo fim. Esses e outros pontos positivos, projeta o gerente do Instituto Ethos, asseguram a credibilidade e utilidade da ferramenta para além das fronteiras brasileiras. Referência A abertura para adesão internacional amplia o alcance da experiência brasileira - considerada pela OIT como uma das mais avançadas do mundo em termos de envolvimento do empresariado. A relevância do compromisso está presente não apenas em relatórios globais do órgão ligado às Nações Unidas (ONU), como também já vem servindo como exemplo de boas práticas, por meio de programas de cooperação Sul-Sul apoiados pelo governo brasileiro, a outras nações da América Latina e da Ásia. Segundo Laís Abramo, diretora do Escritório da OIT no Brasil, a relevância da iniciativa reside na existência de um trabalho de monitoramento, avaliação e intercâmbio de informações para a implementação de ações concretas, muito além das intenções registradas no papel. No próximo dia 20 de junho, o Pacto Nacional será apresentado nos Estados Unidos para membros do governo e representantes de corporações.
"Por meio dos produtos, o trabalho escravo toca as nossas vidas", sustentou o sociólogo. Uma imagem de jovens estudantes reunidos no intervalo das aulas foi utilizada pelo palestrante para mostrar a variedade de itens (telefones celulares, camisas de algodão, café com açúcar etc.) que podem ter alguma ligação com o trabalho escravo contemporâneo. À plateia do evento que marcou o 6º aniversário do Pacto, Kevin compartilhou ainda experiências como a do International Cocoa Initiative, que tem obtido resultados de uma perspectiva mais setorial centrada no cacau. "Acredito, e estou sendo muito sincero, que o mundo tem muito a aprender com o Brasil. E que o Brasil também tem um pouco a aprender com o mundo".
A representatividade dos signatários, sublinhou Marco, pode ser aferida por meio da constatação de que, das dez maiores empresas do Brasil, quatro são signatárias do Pacto Nacional. Além disso, parte substantiva das companhias comprometidas atuam em setores-chave para o enfrentamento à escravidão como agropecuária, mineração e vendas no varejo. Entre os que gravaram suas posições na plataforma digital de monitoramento, 81% declararam que estão aptas a realizar a suspensão imediata do contrato em caso de envolvimento de algum parceiro comercial na "lista suja" do trabalho escravo. O monitoramento por meio de outras auditorias como SA 8000 ou ISO 14001 é realizado por 59% das empresas. Preocupam especialmente os números relativos a intermediários e fornecedores indiretos. Um total de 57,9% não estendem as exigências quanto à qualidade comprovada do processo produtivo a intermediários e/ou fornecedores indiretos. O controle sobre fornecedores pontuais, que são acionados esporadicamente, não ultrapassa o patamar de 48%. No aspecto normativo, 72% das empresas responderam que dispõem de cláusulas contratuais com fornecedores e/ou clientes que estabelecem restrições à utilização de mão de obra escrava. No levantamento anterior, em 2010, esse índice mesmo índice alcançava somente 67%. Quanto ao treinamento, o que se verificou, mais uma vez, foi que a sensibilidade ao tema verificada entre funcionários dedicados à responsabilidade social não vem sendo transferida a contento para outros departamentos cruciais como os de compra e venda. São muito raros ainda os programas de reintegração social e produtiva dos trabalhadores libertados. Apenas 35% alegam apoiar alguma ação com essa finalidade. Resultados alarmantes também foram detectados no campo da comunicação. Projetos e campanhas de informações a trabalhadores vulneráveis foram ignorados por 71% dos signatários. É grande o percentual (67%) dos que não colaboram com esferas governamentais para políticas públicas. Leia, na íntegra, o documento sobre o Compromisso Internacional Notícias relacionadas: Seminário reúne empresas para discutir combate ao trabalho escravo Pacto completa 5º ano e busca aprimorar cerco à escravidão Vannuchi: empresas devem ser protagonistas contra escravidão Empresas do pacto contra escravidão representam 18% do PIB Evento cobra mais compromisso de empresas com fim da escravidão |
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