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28/04/2010 Impactos relacionados à soja minam apelo do biodieselSegundo estudo do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil sobre problemas socioambientais da soja na safra 2009/2010, critérios de sustentabilidade enfrentam resistência dos produtores Por Repórter Brasil A partir de janeiro deste ano, cada litro de diesel vendido nos postos passou a conter 5% de biodiesel. O consumo de fontes energéticas menos poluentes que os combustíveis fósseis pode ser considerado um bom sinal diante dos riscos relacionados às mudanças climáticas, mas os impactos socioambientais vinculados ao biodiesel também são capazes de surpreender quem imagina ter a culpa reduzida toda vez que enche o tanque do veículo. De todo o volume de biodiesel produzido no país, cerca de 80% são extraídos a partir da soja. Das 48 usinas de processamento dedicadas especificamente à produção do agrocombustível atualmente em funcionamento, 42 utilizam a soja como matéria-prima. Quando lançado em 2004, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) prometia inclusão social de pequenos produtores rurais combinada com a disseminação de fontes alternativas (como a mamona). Mas desde que o país vem produzindo biodiesel em maior escala, o domínio da soja nunca chegou a ser ameaçado. Além disso, o direcionamento do grão para o setor de geração de energia é cada vez maior. Em 2008, foram consumidos 3,5 milhões de toneladas de soja para a produção de biodiesel, o que representava cerca de 5,8% de toda a safra da época. Em 2010, 8,3 milhões de toneladas devem virar fonte de energia, quantidade que equivale a 12,3% do total produzido. Ou seja, em apenas dois anos, a proporção de soja para biodiesel mais do que dobrou. "Mais do que o fracasso do programa oficial de inclusão de pequenos produtores de mamona e dendê na cadeia dos agrocombustíveis renováveis", revela o relatório "Os impactos da soja na safra 2009/10", produzido pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil, dados como esses indicam "que todos os problemas ambientais, sociais e trabalhistas ligados ao atual modelo de expansão da sojicultura colocam-se como obstáculos aos discursos empresariais e governamentais de que os agrocombustíveis brasileiros são paradigma da chamada ´energia limpa´". De acordo com os assentados que cultivam o grão no assentamento Mercedes I/II, as usinas Fiagril, Coomisa e ADM tem adquirido a produção, mas a maioria dos agricultores afirma não ter recebido assistência técnica, como exige o Selo. Em relação aos contratos de compra e venda , que devem ser avalizados por entidade representativa dos agricultores (sindicatos ou cooperativas), os assentados afirmaram que as usinas fazem pré-financiamentos convencionais que incluem sementes, adubo e agrotóxicos (o que acaba viabilizando a atividade agrícola, uma vez que todas as políticas públicas de incentivo e financiamento estão paralisadas em função do embargo ambiental), mas não há participação da organização de classe no processo. Bahia Leia a íntegra do relatório "Os impactos da soja na safra 2009/10", do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) |
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