|
||
Página inicial
Notícias
Boletins Lista Suja O Pacto SignatáriosAssineRastreabilidadeMonitoramento
Código de Conduta
Notas Públicas
Clipping
Documentos
Material de Divulgação
Contato
Inscreva-se e receba por e-mail as notícias do Pacto
|
14/04/2010 Articulação reivindica condições de permanência no SemiáridoParticipantes do 7º Encontro Nacional da Articulação no Semiárido (EnconAsa), em Juazeiro (BA), discutem alternativas para que as pessoas possam driblar a necessidade de migrar para longe e permanecer nos seus locais de origem Por Bianca Pyl* Juazeiro (BA) - "As pessoas chamam aqui de fim de mundo, mas é aqui que eu nasci e é aqui que eu quero permanecer". Essa frase é da agricultora Maria Joelma da Silva Pereira, do município de Cumaru (PE), agreste setentrional do estado. A história de Maria é como a de muitas pessoas que vivem no Semiárido brasileiro, ela saiu do local onde nasceu para trabalhar na capital Recife (PE) e, como muitos, encontrou mais dificuldades do que tinha no seu local de origem. A diferença é que Maria retornou a Cumaru (PE) há 15 anos e hoje vive "bem", como faz questão de frisar. Ela e seu marido plantam diversas espécies de verduras, hortaliças, frutas, além de criar diferentes espécies de animais, como galinha, porco, bode e vaca. O aliciamento de trabalhadores em regiões do Semiárido ocorre com frequência por conta da vulnerabilidade social. "O sertão é um local de aliciamento de pessoas para o trabalho escravo. No município de São José de Piranhas (PB), por exemplo, mais de mil pessoas já saíram para trabalhar no corte de cana, no ano passado, na época da safra", relata Arivaldo Sezyshta, coordenador do Serviço Pastoral do Migrante na Paraíba. Segundo Arivaldo, locais como Pernambuco e Piauí, além de "expulsar" trabalhadores, são locais que recebem muita mão de obra por causa dos canaviais. "E as condições de trabalho, normalmente, são muito ruins, sem equipamentos de proteção, alojamentos precários, baixa remuneração", complementa. Na opinião do membro da Pastoral do Migrante, a solução para a permanência das pessoas seria o desenvolvimento local, com foco na agricultura. "Nós percebemos que não resolve irmos com o sindicato visitar canaviais, fazer denúncias ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Isso ajuda, mas não muda o quadro. A solução está na prevenção. Por isso resolvemos integrar a Asa no Estado da Paraíba", finaliza Arivaldo. "A saída de trabalhadores para outros locais é constante. Há cerca de um mês saiu um grupo daqui [de Casa Nova (BA)] para cortar cana em Goiás", lembra Domingos Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Agrícolas da Bahia (Sintagro-BA). Domingos enfatiza que no Semiárido não existe emprego suficiente e o modelo de desenvolvimento não proporciona progresso para todos. Os empregados de grandes obras - como as de irrigação, mineradoras e carvoarias para siderúrgicas - sofrem com a precarização das relações de trabalho. De acordo com Ademilson da Rocha Santos, conhecido como "Tiziu", coordenador do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), os trabalhadores acordam às 3h da manhã para preparar o almoço. A proposta de convivência com o Semiárido, lema da Asa, visa trabalhar com as potencialidades locais. "É uma região muito rica, mas alguns aspectos precisam ser trabalhados, como a estrutura agrária, o acesso à água, a educação contextualizada, o protagonismo juvenil, a soberania alimentar. Todas as políticas precisam ser pensadas e estar dentro desta dinâmica", enumera Tiziu, que foi um dos atingidos com a construção da barragem de Sobradinho, na década de 1970, e teve que se mudar para Juazeiro (BA). "O Semiárido é rico, tanto em espécie animal quanto vegetal, ervas com valor medicinal ´do tamanho do mundo´. Frutas como o umbu, proporcionam trabalho para muitas famílias sobreviverem", completa. Essa riqueza exaltada por Tiziu pôde ser vista durante na 1ª Feira de Saberes e Sabores do EnconAsa, com produtos feitos no Semiárido brasileiro. Educação contextualizada Muitas escolas acabam contribuindo para a construção da imagem do Semiárido como um lugar de atraso e de falta de oportunidades para os próprios alunos que residem na zona rural. O currículo escolar não leva em conta a realidade local. "A educação formal diz para as crianças que se elas querem ter sucesso, devem sair do sertão. Isto é, a educação ajuda a destruir a autoestima das crianças e estimular a migração ao invés do desenvolvimento local", explica José Edson de Albuquerque de Araújo, coordenador da Cooperativa de Assessoria e Serviços Múltiplos ao Desenvolvimento Rural (Coopervida), integrante da Asa no Estado do Rio Grande do Norte. "A educação contextualizada é aquela que tem um currículo que trabalha elementos do contexto em que as crianças e suas famílias vivem. Isto é, resgata os valores e os elementos presentes nas comunidades. Não significa que as pessoas vivem fechadas. Elas estão abertas as novas tecnologias, por exemplo. É preciso fazer a ligação entre as áreas de conhecimento com a realidade local, isso dá a opção de permanência [no Semiárido], mas não garante", explica o coordenador da Coopervida. Há 15 anos, produtores da região de Massaroca, distrito de Juazeiro (BA), em pleno sertão baiano, resolveram investir em uma escola que de fato trouxesse para os seus filhos o aprendizado a partir de sua realidade local. Por meio de parcerias, conseguiram implementar a Escola Rural de Massaroca. "Os agricultores contaram durante a visita dos participantes do evento que sentiam necessidade de uma escola que pensasse a comunidade e não o que o Estado oferecia", relata Vera Carneiro, da Resab. A comunidade foi responsável pela elaboração do projeto pedagógico, em parceria com os educadores, e também pela construção da estrutura física da unidade de ensino. A escola atende cerca de 200 alunos desde a Pré-Escola até o Ensino Médio, e pretendem implementar a Educação de Jovens e Adultos. A metodologia adotada considera três momentos no processo educativo: observar a realidade, compreender a realidade e transformar a realidade. Dessa forma, vem contribuindo para o desenvolvimento local das comunidades da região. Estudos de realidade são feitos anualmente, com os alunos do Ensino Fundamental. Cada ano, uma comunidade é escolhida para que os conteúdos da grade curricular sejam iniciados com base na realidade local. No local, também foi montado o Museu da Casa de Farinha, que retrata a identidade da comunidade. "Foi feito um resgate da identidade local, das cantigas antigas, da cultura de uma maneira geral", relata Vera. A escola possuiu um laboratório de informática, mas ainda sofre com a ausência de material didático mais contextualizado para as comunidades. Pesquisa recente com 150 jovens, em 7 municípios de Pernambuco, mostrou que 55% afirmaram que queriam permanecer se tivessem trabalho, de acordo com Aldo Santos, da coordenadoria executiva da Asa. "O discurso que se adequa é o de dar oportunidade de escolha de permanecer e não ser impelido a migrar pela questão econômica", finaliza José Edson de Albuquerque de Araújo, coordenador da Coopervida. *A jornalista viajou para Juazeiro (BA) a convite da organização do 7º Encontro Nacional da Articulação no Semiárido (EnconAsa) |
COMITÊ DE MONITORAMENTO
|
| expediente | contato | ||