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07/01/2010 Estudiosos pedem reforma agrária e punição a escravagistasPresentes em reunião científica realizada no Rio de Janeiro, pesquisadores acadêmicos reforçam apoio à democratização da terra e à emenda constitucional que confisca propriedade de quem explora trabalho escravo Por Maurício Hashizume Estudiosos do trabalho escravo defenderam mais uma vez a reforma agrária e a expropriação de terras de escravagistas. Em manifesto recém-divulgado, os participantes da III Reunião Científica "Trabalho Escravo Contemporâneo e Questões Correlatas", ocorrida no Rio de Janeiro (RJ) em outubro do ano passado, se posicionam a favor de reformas democráticas "amplas, justas e democráticas" com relação à posse da terra e à produção agrícola. "Nessa direção, manifestamo-nos também pela imediata aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 438/2001 sobre o trabalho escravo. Esta Emenda cria instrumentos inéditos ao garantir o direito à propriedade privada, subordinando-a ao direito à dignidade, à vida e a preservação ambiental, em consonância com o que está propugnado na Constituição Federal vigente", completa o manifesto dos acadêmicos de diferentes partes do Brasil e até de outros países que trocaram conhecimentos durante o evento, que também tratou de questões como o tráfico de pessoas. "Tivemos o envolvimento de pesquisadores das mais diversas áreas, que abordaram aspectos sociais, psicológicos, econômicos, políticos, geográficos, históricos etc. Foi uma demonstração do amplo alcance do trabalho escravo contemporâneo", define o padre Ricardo, que inclusive foi laureado em dezembro último com o Prêmio Direitos Humanos 2009, concedido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), na categoria Erradicação do Trabalho Escravo. O material consolidado das duas primeiras edições da reunião deve ser publicado em breve, ressalta Ricardo. O terceiro encontro, do qual emergiu o manifesto, também resultará num livro. "As ciências e as políticas públicas precisam dar as mãos para combater os mecanismos de exploração", completa o representante do GPTEC. Prêmio João Canuto Atores como Osmar Prado e Eduardo Tornaghi, que integram o MHuD, estiveram presentes no dia 22 de outubro para homenagear: o frade franciscano e bispo da Diocese de Barra (BA), Dom Luiz Flávio Cappio; Jean Pierre Leroy, sociólogo e educador da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase); o diretor e criador do "Teatro do Oprimido" Augusto Boal (in memorian); a religiosa Henriqueta Cavalcante; a atriz Isabel Fillardis, a jornalista Jô Mazzarollo; a Associação Juízes para a Democracia; e o padre e também educador Júlio Lancellotti. João Canuto, primeiro presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria (PA), foi assassinado no dia 18 de dezembro de 1985 com 18 tiros, disparados por dois pistoleiros contratados por latifundiários. |
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