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06/10/2009 Fiscais debatem exploração no campo, na cidade e nos portosDurante painel que fez parte do 27º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit), fiscais sublinharam a relação do trabalho decente com o aumento de contingente e a melhoria da estrutura de apoio Por Bianca Pyl Belém (PA) - O combate ao trabalho escravo rural e urbano, a busca pela eliminação do trabalho infantil, a precariedade do trabalho portuário e as mazelas da terceirização foram abordados durante o painel "Trabalho decente: ação da auditoria fiscal", realizado na semana passada durante o 27º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Enafit), em Belém (PA).Na definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT), trabalho decente é uma ocupação produtiva e adequadamente remunerada, exercida em condições de liberdade, eqüidade, segurança e sem discriminação. Durante o debate, Joel Teixeira, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Pará (SRTE/PA), frisou que o trabalho decente depende do aumento do contingente de fiscais e da melhoria da estrutura por trás das ações. Durante a abertura do 27º Enafit, André Figueiredo, secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), lembrou que foi autorizado concurso público para a abertura de 234 vagas de auditores fiscais do trabalho. A dimensão geográfica de Estados como o Pará dificultam o combate ao trabalho escravo, como ressaltou o fiscal Raimundo Barbosa, da SRTE/PA. "Mais da metade [53%] dos resgates feitos pelo grupo móvel de fiscalização do MTE foram no Pará", adicionou. As atividades econômicas que concentram esse tipo de ocorrência, segundo ele, são a formação de pasto para pecuária bovina, as carvoarias, a extração de madeira e o cultivo de cacau. Desde que foi criado (em 1995), o grupo móvel realizou 856 operações e libertou 34.879 trabalhadores, com pagamentos de indenizações que somam R$ 51 milhões. O trabalho escravo também está presente no meio urbano, conforme destacou a fiscal Ana Palmira Arruda Camargo, da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Campinas (SP). Segundo ela, houve um grande fluxo de entrada de sul-americanos no Brasil a partir da década de 1980 que aumentou a exploração dos migrantes em função da oferta de mão-de-obra barata. São Paulo possui mais de 6 mil oficinas de confecções e emprega milhares de estrangeiros, principalmente bolivianos e paraguaios. Trabalho infantil e portuário As complicadas condições de trabalho nos portos brasileiros não foram esquecidas. "Os trabalhadores portuários e aqüaviários estão submetidos a condições muito precárias, poucos têm Carteira de Trabalho assinada, eles não existem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)", descreveu Franklim Rabelo de Araújo, fiscal da SRTE/CE e integrante do Grupo Móvel de Fiscalização do Trabalho Portuário e Aquaviário. O número de acidentes no setor é alto. Porém, não há um levantamento real por causa da alta informalidade. "Nós recebemos denúncias com freqüência de acidentes, mas nem sempre conseguimos estabelecer o vínculo empregatício. Alguns pescadores morrem mergulhando para pegar lagosta ou ficam sem poder andar. Eles não têm assitência nenhuma", completou Franklim. Somente 32 auditores fiscais do Trabalho são responsáveis por inspecionar as atividades portuárias e aquaviárias em todo o país. "A fiscalização não consegue ser tão efetiva em função do número reduzido de fiscais". Campanha O Sinait está preparando uma nova campanha institucional sobre trabalho decente. "O objetivo continuará sendo informar a sociedade. A campanha sozinha não muda a situação. Porém, ela mobiliza as pessoas para cobrar de quem deve combater esse problema social", explica Rosa. *A jornalista viajou a convite da organização do 27º Enafi |
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