|
||
Página inicial
Notícias
Boletins Lista Suja O Pacto SignatáriosAssineRastreabilidadeMonitoramento
Código de Conduta
Notas Públicas
Clipping
Documentos
Material de Divulgação
Contato
Inscreva-se e receba por e-mail as notícias do Pacto
|
21/09/2009 Sebo bovino transfere problemas da pecuária ao biodieselPelo menos oito usinas de biodiesel do país utilizam prioritariamente gordura animal. Entre elas, relatório da Repórter Brasil rastreou problemas em seis: Biocapital, BrasBiodiesel, Frigol, BioPar Parecis, Ouro Verde e Amazon Bio Por Repórter Brasil A gordura animal é hoje a segunda matéria-prima mais utilizada para a produção de biodiesel no Brasil, atrás apenas do óleo de soja. No Boletim Mensal de Biodiesel de julho deste ano - divulgado recentemente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) -, a gordura animal (sebo bovino, quase em sua totalidade) responde por 14,62% da produção nacional, enquanto que o óleo de soja representa 78,70%.O uso do sebo bovino em julho deste ano superou mais que três vezes o óleo de algodão (4,11%). Principais apostas do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) do governo federal, as outras oleaginosas (mamona, dendê, pinhão-manso, girassol, canola etc.) aparecem genericamente na relação da ANP como "outros materiais graxos" e equivalem, juntas, a apenas 2,57% do que se produziu no período. Em suma, a produção de biodiesel com o subproduto da indústria pecuária foi, em julho, seis vezes maior que a soma do volume derivado dessas outras oleaginosas. Em janeiro deste ano, a porcentagem relativa ao sebo bovino atingiu pico que se aproximou de 25%. Mesmo com esta participação significativa, a gordura animal ainda é pouco associada à produção de biodiesel. A empresa Biocapital, por exemplo, não costuma divulgar que sua usina localizada em Charqueada (SP) é a maior do país a utilizar 100% de sebo bovino como matéria-prima. Além da Biocapital, outras 65 usinas detêm autorização da ANP para processar gordura animal. Pelo menos outras sete - BrasBiodiesel (do grupo Bertin), Frigol, BioCar Biodiesel (que opera em fase de testes), CLV Agrodiesel, BioPar Parecis, Ouro Verde e Amazon Bio, localizadas em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia - utilizam prioritariamente a matéria-prima. "A explicação para o silêncio pode estar nos graves problemas sociais, ambientais e trabalhistas da pecuária no Brasil. Associar a cadeia do agrocombustível a esses impactos negativos certamente prejudicaria a boa imagem de ´combustível limpo´ que empresários e gestores públicos vêm tentando criar", expõe trecho do novo relatório "Brasil dos Agrocombustíveis - Gordura Animal, Dendê, Algodão, Pinhão-Manso, Girassol e Canola 2009", lançado nesta segunda-feira (21) pela Repórter Brasil. Omitir dos consumidores a relação entre pecuária e biodiesel significa, para os autores do relatório que reúne impactos socioambientais dos agrocombustíveis, "enganá-los com o falso discurso da sustentabilidade". "Quando um caminhoneiro abastece seu veículo com a mistura de 4% de biodiesel ao óleo diesel, obrigatória por lei, ele é levado a acreditar que está contribuindo para mitigar os efeitos das chamadas mudanças climáticas globais, por meio de redução nas emissões de gases de efeito estufa. O que provavelmente o caminhoneiro não sabe é que parte significativa daquele do biodiesel (o percentual variou de 10,70% e 24,54% entre outubro de 2008 a junho de 2009) foi produzido com sebo bovino - e que, não por acaso, os municípios brasileiros com maiores taxas de desmatamento são também os que têm maior quantidade de bois e de casos fiscalizados de trabalho escravo", adiciona outro trecho do documento. A Biocapital, por exemplo, adquiriu sebo do Frigorífico Quatro Marcos de Juara (MT) em 2008. Arrendada recentemente pelo JBS Friboi, a unidade teve atividades embargadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais renováveis (Ibama) por operar sem a devida licença ambiental. Uma das campeãs de desmatamento da Amazônia segundo relação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de 2008, Rosana Sorge Xavier faz parte da família que controla o Quatro Marcos e entrou, em julho deste ano, para a "lista suja" do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram rastreados problemas na cadeia produtiva de outras cinco usinas que geram biodiesel de gordura animal: Brasbiodiesel, em Lins (SP); Biopar Parecis, em Nova Marilândia (MT); Amazon Bio, em Ji-Paraná (RO); Frigol, em Lençóis Paulistas (SP); e Ouro Verde, em Rolim de Moura (RO). Para elaborar a publicação, o Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil percorreu 27,9 mil quilômetros por meio aéreo e terrestre, com passagem pelos estados do Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. Confira os rastros deixados pelas outras culturas analisadas: Dendê Girassol e Canola Leia a íntegra do relatório "Brasil dos Agrocombustíveis - Gordura Animal, Dendê, Algodão, Pinhão-Manso, Girassol e Canola 2009" |
COMITÊ DE MONITORAMENTO
|
| expediente | contato | ||