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14/05/2009 Revista Sustenta Clipping: O seu bife vem daquiDomingo de sol, família reunida. Diante da churrasqueira, à espera do ponto ideal da picanha, é improvável que alguém pare e pergunte de onde teria vindo aquele pedaço de carne. "Do supermercado da esquina" seria a resposta mais rápida. "Do frigorífico" seria outra, mais elaborada. Mas e antes? E quando esse bife ainda era parte de um boi inteiro, vivo, andando por um pasto? Você já se perguntou como terá sido o processo até ele chegar à sua mesa? Sem querer estragar seu almoço, a maneira como é produzida a carne que comemos - e tudo o que se consome em qualquer lugar do mundo - merece um pouco mais de nossa atenção. Ela tem relação com as questões socioambientais que o mundo se vê obrigado a enfrentar hoje para garantir seu futuro.A carne brasileira é um dos principais vetores do desmatamento da Amazônia, segundo um estudo de 2008 que dimensiona a rede complexa que une nossos hábitos do dia a dia à destruição da maior área contínua de floresta tropical do mundo. Intitulado "Conexões sustentáveis São Paulo - Amazônia: Quem se beneficia com a destruição da Amazônia?", o trabalho, elaborado por jornalistas das ONGs Repórter Brasil e Papel Social Comunicação, verifica os impactos ambientais e sociais causados pelo avanço da agropecuária, do extrativismo, das plantações de soja e até dos financiamentos públicos e privados sobre a floresta. A pesquisa foi divulgada durante o seminário "Conexões sustentáveis: São Paulo - Amazônia", uma iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. O evento reuniu dezenas de lideranças locais e nacionais para debater as relações de interdependência entre São Paulo e a Amazônia. A escolha da cidade como fio condutor da pesquisa se deu porque é ela o maior centro consumidor e distribuidor de produtos da Amazônia - e porque até o regime de chuvas da cidade tem ligação com a preservação da floresta. "A Amazônia tem papel fundamental na concentração de nuvens de chuva em São Paulo. A chuva começa a se formar no Atlântico, se adensa sobre a floresta tropical e, ao esbarrar nos Andes, retorna e cai em São Paulo", afirma Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA). Poder de compra Seu parceiro na coordenação do projeto, Marques Casara, da Papel Social, reforça a posição do consumidor nessa história. Apesar de estar na ponta final da cadeia, quem compra tem poder de provocar mudanças. "O consumidor pode usar seu poder de compra para pressionar a rede de varejo a adquirir apenas produtos de fornecedores que tenham cadeia produtiva legal." São opiniões que vão ao encontro de Beto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que ressalta a importância de envolver o mercado na luta por um avanço nas políticas públicas. "Sem regularização fundiária, que só o governo pode fazer, não haverá bons negócios na Amazônia." Bom negócio na Amazônia, completa Veríssimo, é fazer pecuária em áreas já desmatadas sem avançar mais sobre a floresta, fazer mineração em áreas determinadas, manejo para exploração e saída dos produtos da floresta, respeito à natureza. "Já há empresas compromissadas com a sustentabilidade. As grandes mineradoras na Amazônia estão buscando uma exploração mais cuidadosa, que dialogue mais com o século 21." É mais barato derrubar São Félix do Xingu, cidade no sul do Pará, aparece no relatório como caso emblemático para ilustrar a expansão pecuária na Amazônia: em 1997, as fazendas desse município de 84 mil quilômetros quadrados comportavam menos de 30 mil cabeças, de acordo com o Sindicato dos Produtores Rurais (SPR) do município. Em dez anos, o contingente passou para 1,7 milhão de animais. No Mato Grosso, os números também impressionam. De acordo com um diagnóstico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 2007 havia 39 frigoríficos funcionando em 24 municípios, somando uma capacidade de abate de 22 mil cabeças por dia. O mesmo estudo identifica seis unidades em processo de ampliação e nove plantas em construção - o que deve dobrar o número de abates. Além de combater as diversas irregularidades encontradas nessas áreas, é fundamental deter a expansão dessas pastagens. Não se trata de impedir o crescimento do setor, mas aumentar a produtividade das áreas já desmatadas: os especialistas dizem que seria possível criar ao menos três vezes mais gado nessas terras com o uso de tecnologias simples. Por que, então, a derrubada continua? Porque, em curto prazo, é mais barato invadir uma nova área florestal e transformá-la em pasto do que investir na produtividade das áreas já usadas. Em longo prazo, no entanto, é o que se sabe: as conseqüências dessa escolha serão desastrosas. Madeira "esquentada"
Desmatamento zero Por Micheline Alves e Natália Viana Comentário da Repórter Brasil A responsabilidade compartilhada de empresas que fazem parte das cadeias produtivas com ligação com casos de trabalho escravo para o isolamento de produtores criminosos é tão importante quanto a adoção de padrões mais sustentáveis de consumo por parte dos consumidores. |
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