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16/01/2008 Folha de S. Paulo Clipping: Gado derruba a Amazônia, reconhece StephanesMinistro da Agricultura admite que governo trata do problema apenas "em tese"; estudo revelado pela "Folha" domingo mostra que região foi grande responsável pelo aumento das exportações brasileiras de carne bovinaO ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu ontem que há derrubada de floresta amazônica para uso como pasto, reconheceu que o governo trata do tema somente "em tese", disse que está preocupado e torceu para que o rebanho que come a floresta não se destine ao aumento das exportações brasileiras. Questão de fé Entre as ações teóricas, inclui-se a preocupação do governo com o fenômeno da pecuária na Amazônia. "Estamos muito preocupados com aquilo que foi demonstrado na reportagem", afirmou Stephanes. O ministro abordou o assunto ontem, ao divulgar os dados da balança comercial do agronegócio brasileiro. O complexo de carnes foi destaque, com aumento de 12,8% nas vendas de carne bovina. Em 2007, o Brasil embarcou 1,62 milhão de toneladas de carne bovina em direção a 150 países, um número 6% superior ao ano anterior. Em suas projeções, o Ministério da Agricultura espera um crescimento de 31,5% na produção bovina até 2017/2018. Segundo o ministro, há espaço para o aumento sem interferência em biomas protegidos, como a Amazônia e o Pantanal. O cerrado participa do cálculo como área para pastagem. Isso apesar de ser um bioma rico em biodiversidade e altamente ameaçado: estima-se que 40% dele já tenha sido alterado pela ação humana, e as pressões do agronegócio sobre a savana central brasileira só crescem. Comentário da Repórter Brasil Em entrevista concedida à Agência Reuters, o ministro Stephanes admitiu que não há fundos ou políticas concretas do governo "para incentivar os fazendeiros do país a não cortar mais árvores"."Nós não começamos ainda, isso ainda não é necessário", afirmou o ministro da Agricultura à reportagem da Reuters. "Essa discussão é nova, pelo menos neste ministério, e ainda precisa amadurecer para que nós possamos criar novas linhas de financiamento". As matérias recentes com a posição de Stephanes divulgadas pela imprensa confirmam a dificuldade do governo em frear o ímpeto da estrutura que está por trás do desmatamento. Com isso, o papel de empresas responsáveis pode ser ainda mais central para a efetivação de atividades econômicas não predatórias. |
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