26/03/2010 Folha de S. Paulo

Clipping: Na carne

Uma investigação feita "in loco" em 1.020 fazendas pela própria CNA, a Confederação Nacional da Agricultura, revela que menos de 1% -é isso mesmo, 1%!- dos estabelecimentos rurais visitados por profissionais da entidade cumprem as leis trabalhistas no campo. O relatório, assinado por professores da Universidade Federal de Minas Gerais e da FGV-SP, será divulgado na próxima semana.

Degradante
A CNA, que é presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), enviou técnicos e professores universitários para as fazendas como se fossem "fiscais" do governo. Entre as falhas encontradas, estão trabalhadores sem carteira assinada, alojamentos inadequados e empregados que costumam almoçar no campo, e não em refeitórios apropriados, o que é considerado "degradante" pelo Ministério do Trabalho.

Cartilha
As visitas foram feitas em sete estados - Alagoas, Tocantins, Maranhão, Bahia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará. Os técnicos da CNA orientaram os fazendeiros e retornaram aos estabelecimentos rurais depois de quase dois meses. Em 18% dos casos, os proprietários tomaram providências para melhorar a situação -o que, na opinião da entidade, mostra que, quando informados, os ruralistas procuram se adequar. Só no Maranhão as coisas continuaram praticamente iguais.

Coluna de Mônica Bergamo
26/03/2010

Comentário da Repórter Brasil
A intenção da CNA ao promover esse tipo de pesquisa foi clara: reduzir as "exigentíssimas" normas trabalhistas uma vez que elas não são cumpridas. Ou seja, mais uma vez, querem mais uma vez impor goela abaixo a política do fato consumado. "Como ninguém cumpre a lei, que mudemos essa lei". Cumpri-la efetivamente, nem pensar. Ocorre que a pesquisa da própria CNA, que ainda não divulgou detalhes, pode permitir preliminarmente uma outra leitura: se 99% sequer cumprem o básico, quantos não estariam submetendo trabalhadores a condições mais graves de desumananidade?
expediente | contato