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02/03/2010 Valor Econômico Clipping: Programa combaterá problemas trabalhistas e ambientaisCada vez mais cobrados em fóruns nacionais e internacionais, os produtores de algodão decidiram tomar uma providência concreta para amenizar problemas ambientais e trabalhistas em suas lavouras. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) lançou, na semana passada, um amplo programa de combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo e ao uso indiscriminado de agrotóxicos."Temos que adequar nosso processo produtivo às normas mais rigorosas da legislação", prega o presidente da Abrapa, Haroldo Cunha. "O comprador europeu quer saber o que está consumindo, de onde vem esse algodão e como ele é produzido. Está em jogo a sustentabilidade do nosso negócio". O programa socioambiental (Psoal), anunciado na região oeste da Bahia, na semana passada, também prevê o manejo de resíduos, a prevenção de acidentes, a gestão ambiental adequada e a melhoria no transporte de trabalhadores rurais. "Esse programa também vai evitar problemas em bancos federais, que seguem regras para não emprestar dinheiro em casos de não conformidade com a legislação ambiental", diz o presidente da associação baiana dos produtores (Abapa), João Carlos Jacobsen. A iniciativa do segmento, um dos mais intensivos em uso de agrotóxicos no setor rural, contará com equipes exclusivas para orientação nas fazendas. Um "check list" com as principais exigências ambientais e trabalhistas da legislação começará a ser feito em etapas. No fim do processo, um "selo de qualidade" atestará o respeito das propriedades às leis nacionais. "Isso vai dar visibilidade ao nosso produto lá fora", prevê Cunha. A cidade de Formoso do Rio Preto terá uma unidade-piloto da "Better Cotton Iniciative" (BCI), um projeto internacional do segmento para testar o nível de adaptação dos produtores de algodão às crescentes exigências dos consumidores. "Pode parecer oneroso no início, já que é preciso investimento. Mas o programa também vai trazer uma mudança de gestão e de cabeça dos produtores", disse Cunha a uma plateia de 100 produtores da região, em Luís Eduardo Magalhães. O BCI conta com indústrias e ONGs globais como Adidas, Gap, Nike, Marks and Spencer, H&M, Levi Strauss, Lindex, Ikea, Ecom Agroindustrial, IFC, Oxfam e WWF. A região dos Cerrados da Bahia foi escolhida para ser um "modelo" aos produtores dos demais Estados. Em parte, a escolha da região se deu pelo nível de cobrança feita pelo Ministério Público do Trabalho. Presente ao anúncio do "Psoal", a procuradora regional do Trabalho, Luana Duarte Leal, cobrou a continuidade do programa. "É uma boa iniciativa, muito válida para antecipar problemas. Mas vamos acompanhar as ações para monitorar seus resultados", afirmou ela aos produtores. Em discurso, o prefeito municipal e produtor Humberto Santa Cruz afirmou que o MP precisava "levar em conta" as condições de cumprimento da legislação trabalhista em razão das diferenças regionais. "É preciso levar em conta que a situação da indústria de São Paulo é bem diferente das condições da agricultura do interior da Bahia", afirmou. Apesar disso, o prefeito disse que "não faz sentido" ter problemas de trabalho escravo em um "setor tão moderno" da produção nacional. (MZ) Comentário da Repórter Brasil Mais uma vez, produtores de algodão se unem para tentar implementar um sistema de autorregulação no Oeste da Bahia, em vez de aderir ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, iniciativa empresarial mais plural, participativa e reconhecida de combate ao trabalho escravo no país. Isso já aconteceu anteriormente com o mal sucedido "selo de conformidade social" , implementado pelo Instituto Algodão Social (IAS), constituído pelos algodoeiros do Mato Grosso. Hoje, o IAS faz parte do Pacto Nacional. |
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