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11/04/2007 - 16:38 "A imprensa está sendo parcial", diz presidente da Fenaj sobre emenda 3Para Sérgio Murillo, da Federação Nacional dos Jornalistas, há um "clima de linchamento" na imprensa em relação ao veto à emenda 3. Segundo ele, cultura de empresas de comunicação é de não respeitar direitos trabalhistas Por Iberê Thenório Na semana passada, representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e dos maiores sindicatos da categoria no País se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedindo a manutenção do veto à "Emenda 3".Os jornalistas podem ser uma das categorias profissionais mais prejudicadas caso a nova regra entre em vigor. Desde quando a emenda surgiu no Congresso, apresentada pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB), a assessoria do parlamentar já admitia: a mudança vinha a pedido das grandes empresas de comunicação. Muitos jornais, rádios e emissoras de TV contratam prestadores de serviços por meio de pessoas jurídicas. Para pagar menos impostos e encargos sociais e trabalhistas, elas fazem com que seus empregados abram uma empresa e trabalhem sem carteira assinada. Assim, impedir a ação dos auditores-fiscais federais seria uma forma de garantir juridicamente a manutenção dessa contratação irregular. Para saber como os jornalistas estão encarando a edição da polêmica emenda, a Repórter Brasil entrevistou o presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, que alerta para a contaminação das notícias pelo interesse dos grupos de comunicação. Repórter Brasil - A Fenaj assumiu abertamente uma posição contrária à emenda. O que representaria para a categoria dos jornalistas a aprovação da medida? Se em algum momento esse tipo de contrato [de prestação de serviço por meio de pessoa jurídica] pode ser benéfico para as empresas e para alguns jornalistas que ganham salários acima de 20, 30 mil reais, com certeza não é para quem está ganhando um pouco mais do que o piso e é obrigado a constituir-se como prestador de serviços. Se em uma situação pode até favorecer os dois lados, o jornalista e o empresário, nesse outro quadro perde todo mundo: a Receita Federal, a Previdência, o sindicato, o trabalhador. E ganha o empresário. Hoje é bastante comum nas redações jornalistas serem contratados através da intermediação de pessoas jurídicas. Quando começou essa situação e por que ela chegou ao ponto em que está hoje? Boa parte disso também se deve à falta de condição do Estado de fiscalizar as relações de trabalho. Essa estrutura está sucateada, após anos e anos de recusa de investimento. Se hoje já se gerou essa situação absurda, imagine se o Estado ficar impedido de agir? Aí então estaremos entregues à sorte. Os sindicatos denunciam freqüentemente essa fraude, mas eles não têm papel de polícia. Quem tem esse poder é o Estado. Há, mais recentemente, uma preocupação do Ministério Público do Trabalho de coibir essas práticas, mas a gente ainda depende da ação fiscalizadora estatal. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestou-se a favor da Emenda e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) tem feito lobby aberto pela aprovação da emenda. Como você avalia essas posições das duas entidades?
Comentários: JULIANA DE JESUS EGIDIO - 23/05/2007 - 15h40
TEREZINHA - 16/04/2007 - 23h24
LUCINDA R.RODRIGUES - 14/04/2007 - 13h52
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