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13/07/2006 - 18:09 Algodoeiros comprometem-se a combater o trabalho escravoProdutores do Mato Grosso, representados pelo Instituto Algodão Social lançam carta em que defendem a responsabilidade social e combatem a exploração do trabalhador. Até agora, contudo, não assinaram pacto da iniciativa privada contra a escravidão Por Iberê Thenório O Instituto Algodão Social (IAS) lançou, nesta quinta-feira (13), em São Paulo, a "Carta do Algodão com Responsabilidade Social", em que as boas relações de trabalho e a responsabilidade social passam a ser normas nos contratos trabalhistas firmados pelos algodoeiros do Mato Grosso. O documento foi assinado em reunião anual do setor chamada de "Clube da Fibra" e é dirigido também ao governo federal e organizações da sociedade civil. O princípio da carta é a proibição do trabalho forçado ou análogo ao de escravo. No evento, o instituto também anunciou a ampliação de suas ações à esfera federal, com o apoio da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Criado no final de 2005 pela Associação Mato-Grossense de Produtores de Algodão (AMPA), o IAS orienta agricultores a como agir de acordo com a legislação trabalhista. O instituto foi fundado para atender a exigências de compradores, entre eles europeus, que pediam garantias de que não havia irregularidades na produção do algodão do Mato Grosso. A pressão internacional começou depois que fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram graves irregularidades trabalhistas em várias fazendas do estado, inclusive trabalho análogo à escravidão, fazendo com que alguns produtores fossem incluídos na "lista suja" do trabalho escravo. Nessa relação, figuram empregadores que comprovadamente utilizaram esse tipo de mão-de-obra em suas empresas. Com base na lista, foi identificada a cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil, mostrando o escoamento de mercadorias das fazendas até atingir o mercado consumir brasileiro e internacional. O algodão foi um dos produtos mapeados. De posse dessas informações, indústrias, varejo e exportadores firmaram o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, organizado pelo Instituto Ethos e a Organização Internacional do Trabalho. Comprometeram-se, assim, a atuar no combate ao trabalho escravo em suas cadeias produtivas. Marketing Animados com o lançamento da carta, produtores de algodão vêem a atuação do Instituto como agregação de valor e maior competitividade de sua mercadoria no mercado internacional. "Isso é um marketing que iremos utilizar", conta Gilson Pinesso, algodoeiro e vice-presidente do IAS. Dentro dos planos para o próximo semestre de 2006, o Algodão Social anuncia a tentativa de certificação de algumas fazendas dentro da norma internacional Social Accountability 8000 (SA 8000). A certificação, fornecida por uma organização não-governamental sediada nos Estados Unidos, garante que a empresa e seus fornecedores mantêm boas relações de trabalho com seus empregados. Interpretações divergentes A afirmação, contudo, vai de encontro às informações fornecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que relaciona produtores de algodão do Mato Grosso na "lista suja", como as fazendas Brasília, no município de Alto Garças, Leonardo, em Itiquira, Maringá, em Novo São Joaquim, e Piva, em Tapurah. O conceito de trabalho escravo adotado pelos dirigentes do IAS também contradiz os parâmetros da OIT e do MTE. Para Félix Balaniuc, diretor-executivo do Instituto, "escravo, tecnicamente, é aquele que é propriedade de uma outra pessoa. É comprar uma pessoa e integrar ao patrimônio do proprietário". Contudo, durante sua exposição no "Clube da Fibra", Patricia Audi, coordenadora do projeto de combate ao trabalho escravo da OIT Brasil, afirmou que a nova escravidão se caracteriza pela soma de um trabalho degradante, com coação, e a privação do direito de ir e vir. "Não há liberdade principalmente por causa da servidão por dívidas, do isolamento geográfico e, muitas vezes, de guardas armados que impedem a fuga." A forma de combate à escravidão adotada pelo governo federal e pela sociedade civil também é outro ponto criticado pelos produtores de algodão. De acordo com João Carlos Jacobsen, presidente da Abrapa, a divulgação de que há trabalho escravo no país prejudica a agricultura brasileira. "O Brasil é um dos poucos países do mundo que fala mal de si próprio", argumenta Jacobsen. Para a coordenadora da OIT, entretanto, no exterior o país é visto bons olhos quando se fala de combate à escravidão: "o Brasil, hoje, é um exemplo a ser seguido", avalia. A Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), em documento sobre o combate a esse crime, afirma que não acabar com o trabalho escravo é que prejudica a imagem do Brasil no exterior. "As ameaças de restrições comerciais serão levadas a cabo se o país não fizer nada para resolver o problema.", diz o documento. Apesar das divergências, Pupin garante que a atuação do IAS transformará o desrespeito às leis trabalhistas em algo do passado. "Nós cometemos erros? Sim, isso é realidade. Mas não foi por má fé. Foi por falta de informação, de conhecimento. Agora, nosso foco é fazer a coisa certa", defende o presidente do Instituto. De acordo com o Anuário de Comércio Exterior da consultoria Análise, o algodão foi o 31º produto na pauta de exportações do país em 2004, representando 0,4% do total ou 406 milhões de dólares. Porém, teve um aumento de 116% com relação a 2003, quando foram exportados 188 milhões. O país concorre com a China, o maior produtor mundial, citada por organismos internacionais devido a graves problemas na área trabalhista. Os produtos têxteis, por sua vez, estão em 19º colocado no ranking, totalizando 1,44 bilhão de dólares de vendas ao exterior naquele ano. Conheça a "Carta do Algodão com Responsabilidade Social" |
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