|
||||
|
Repórter Brasil Agência de Notícias Arquivo
Especiais Maranhão Vídeos Programa de Rádio Clipping Perguntas do trabalhador Cartas Assine o Boletim Contate-nos
O que é Mentiras mais contadas Como uma pessoa livre se torna escrava Como uma pessoa escrava se torna livre Comparação entre a nova escravidão e o antigo sistema O trabalho escravo e a legislação brasileira Documentos para pesquisa Jurisprudência Bibliografia recomendada |
18/04/2007 - 18:25 Incra promete destinar fazendas flagradas com escravos à reforma agráriaÁrea total soma 15.473 hectares, o suficiente para assentar mais de 300 famílias. Justificativa é que parte das terras são griladas, improdutivas ou não respeitam legislação trabalhista. Líder do MST diz que vai aguardar medidas concretas Por Iberê Thenório Três fazendas do Sul do Pará que já foram flagradas utilizando trabalho escravo vão ter parte de suas terras destinadas à reforma agrária. Essa foi a promessa do presidente do Incra, Rolf Hackbart, feita nesta terça-feira (17) durante ato que lembrou o assassinato de 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA). As propriedades são a fazenda Rio Vermelho, localizada no município de Sapucaia e pertencente à família Quagliato, a fazenda Peruano, em Eldorado dos Carajás, e a Castanhal Cabaceiras, em Marabá - ambas da família Mutran. As três propriedades têm acampamentos do MST e são reivindicadas para a reforma agrária. De acordo com o Incra, as áreas em que é possível construir assentamentos somam 15.473 hectares, o suficiente para abrigar mais de 300 famílias. Apesar das três fazendas já terem processos no Incra para destinação à reforma agrária, o superintendente do órgão em Marabá, Raimundo Oliveira, garante que com a posse da nova governadora, Ana Júlia Carepa (PT), tudo vai ser mais rápido. "Em três meses de governo, fizemos o que não pudemos fazer em 12 anos." O MST recebe a promessa com um pé atrás. De acordo com Ayala Ferreira, uma das líderes estaduais do movimento, já houve muitas promessas em relação a essas terras, mas pouco foi feito. "Anunciar é uma coisa, implementar é outra. Ficarmos parados esperando é que não vamos", alerta. Despejo em terra pública "Essa área não é contínua, mas nós já conversamos com o proprietário, e há uma disponibilidade de fazer uma permuta para poder juntar essas duas áreas", afirma Raimundo. De acordo com o superintendente, nessas terras seria possível assentar entre 50 e 70 famílias. Por enquanto, ele não quer informar quanto tempo o processo vai demorar, já que os Quagliato podem recorrer na justiça, emperrando o processo. Em 1996, um grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontrou 167 pessoas em situação análoga à escravidão na fazenda Rio Vermelho. Na mesma operação, 81 trabalhadores foram libertados na fazenda vizinha, a Colorado, que também pertence aos Quagliato. Degradação "Um grande problema da Peruano é que a terra está totalmente degradada. teremos que recuperar grande parte dessa área para conseguir fazer um assentamento ecologicamente sustentável", prevê Flávio. A fazenda ganhou projeção nacional quando em março de 2006 o MST destruiu um laboratório de inseminação artificial e incendiou uma parte da sede da fazenda. A ação ocorreu em reação ao despejo ilegal das 400 famílias que ocupavam a Rio Vermelho. A Peruano também já foi palco de libertação de trabalhadores escravos. Em dezembro de 2002, o MTE encontrou 54 pessoas vivendo lá sob maus-tratos e cerceamento da liberdade. Pagamento recorde A empresa Jorge Mutran, proprietária da fazenda, recorreu à Justiça, e hoje o caso está no Supremo Tribunal Federal. Raimundo, porém, informa que o Incra fez uma nova vistoria no local e entrará novamente com um processo administrativo. "Os índices de produtividade são insuficientes. Além disso, há também a questão do trabalho escravo e problemas ambientais." Em agosto de 2002, o MTE encontrou 22 trabalhadores escravos na Cabaceiras. Um ano e sete meses depois, 13 pessoas foram encontradas na mesma condição. A reincidência custou caro aos Mutran. Em um acordo com o Ministério Público do trabalho e a Justiça do Trabalho, eles desembolsaram R$ 1.350.440,00, a maior indenização já paga por esse tipo de crime. Parte da fazenda é ocupada desde 1999 pelo MST. De acordo com o movimento, vivem lá hoje 230 famílias no acampamento 26 de Março. Matérias relacionadas: |
![]() ![]()
Cadastre seu e-mail e receba nosso boletim:
Conheça o site do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo
Saiba mais sobre o Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis
|
||
Expediente (C) Copyleft |
||||
|
|
|
|
||